De ampola isolada a R$ 94 mil no mês: a virada de chave que Karine Garrido aprendeu sobre vender protocolo completo
Num encontro ao vivo do Next Level, Karine Garrido contou como parou de vender ampola isolada e passou a vender protocolo completo, quase batendo os R$ 100 mil no mês. Dr. Diego Correa Dermatologista usou o resultado dela para ensinar ao grupo por que preço é uma questão de merecimento, propósito e recorrência, não de desconto.
Karine Garrido chegou ao encontro ao vivo do Next Level com uma notícia que ela mesma parecia ainda estar absorvendo: R$ 94.600 faturados no mês. Segundo ela, se dois pacientes tivessem pago no sábado como combinado, o número teria passado dos R$ 100 mil. A mudança não veio de mais tráfego nem de uma campanha nova. Veio de uma decisão simples, e desconfortável no começo: parar de vender ampola isolada e passar a vender protocolo completo.
Dr. Diego Correa Dermatologista aproveitou o resultado de Karine para abrir uma das aulas mais densas do encontro, sobre por que a maioria das clínicas vende errado mesmo quando entrega um trabalho tecnicamente bom.
Propósito primeiro, produto depois
A aula recomeçou por um princípio que Dr. Diego chama de PPP: propósito, pessoas e produtos, nessa ordem. O erro mais comum é inverter a lógica e sair criando produto atrás de produto sem primeiro decidir o que a clínica existe para entregar. O propósito de Dr. Diego é deixar as pessoas mais bonitas, e é esse propósito, não o procedimento da vez, que deveria guiar cada oferta feita a um paciente.
Vender o modelo, não a ferramenta
O segundo ajuste de mentalidade foi este: quando um médico apresenta um protocolo, ele não está vendendo uma ferramenta isolada, ácido hialurônico, um aparelho, uma técnica. Está vendendo um modelo de negócio que estrutura o tratamento inteiro rumo a um resultado completo. Dr. Diego usou uma analogia direta para explicar quantas aplicações costumam ser necessárias: pensar em quantas "bocas" ou "narizes" cabem num rosto, concentrando a atenção na chamada linha da beleza, nariz, boca e queixo, em vez de tratar cada ampola como um item avulso de prateleira.
O medo de precificar
Nem todo mundo no encontro chegou tão confiante quanto Karine. Kelly Melo dividiu a dificuldade que enfrenta na própria cidade: pacientes com receio de preenchedor e de rosto mais pesado, o que a empurra para ultrassom microfocado e bioestimuladores, tornando o protocolo completo mais caro de montar e mais difícil de precificar diante dos custos altos da clínica onde trabalha.
Foi Patricia Dalboni e Leticia Rizzo que ajudaram a destravar essa insegurança, incentivando Kelly a apresentar o protocolo completo pelo valor justo, sem medo, porque quem busca resultado paga e valoriza o serviço. Karine reforçou o ponto com uma frase simples: quatro seringas de preenchedor não são muitas, o essencial é entender o próprio valor, que vai muito além do custo do produto usado.
R$ 94.600
faturamento de Karine Garrido no mês, depois de parar de vender ampola isolada
4 seringas
"não são muitas", segundo Karine: o valor está além do custo do produto
Merecimento vem antes do preço
Dr. Diego trouxe um ponto que fugiu da planilha e foi direto para a autoestima do médico: a hesitação de muitos profissionais em cobrar o preço certo se parece com a hesitação de entrar numa loja de luxo, uma insegurança de achar que aquele patamar não é para si. Ele nomeou essa sensação de síndrome do impostor, e descreveu como alguém que alcança sucesso financeiro pode, por insegurança, voltar a hábitos de consumo menores, como se estivesse se punindo por ter crescido.
A recomendação prática que sai dessa reflexão é direta: nunca decidir por antecipação o que um paciente pode ou não pagar. Dr. Diego contou o caso de uma paciente interessada, a princípio, num procedimento simples, que acabou fechando tratamentos bem mais completos ao sentir confiança no profissional, prova de que o limite quase nunca é o bolso do paciente, é a segurança de quem está oferecendo.
Recorrência: o protocolo como Netflix, não como dedetização avulsa
Dr. Diego contou que sua empresa anterior quebrou justamente por depender de procedimento isolado em vez de protocolo com recorrência, e usou duas analogias para fixar o raciocínio no grupo. A primeira: um protocolo bem construído funciona como uma dedetização, que só é eficaz se for repetida com regularidade, não como um serviço avulso e único. A segunda: um bom protocolo se parece com a Netflix, uma sequência lógica de etapas que mantém o interesse do paciente vivo e o traz de volta para a próxima fase, em vez de encerrar tudo numa única sessão.
Definir datas certas para cada etapa do protocolo, em vez de deixar tudo em aberto, foi apontado como o detalhe que sustenta essa recorrência na prática: a data cria senso de compromisso com o resultado e dá ao time comercial um motivo concreto para fazer o follow-up de cada paciente.
Posicionamento também é saber demitir paciente
Fechando a aula, Dr. Diego trouxe o tema que mais gera desconforto entre os médicos: o posicionamento também significa saber dizer não. Ele comparou a clínica a um restaurante com regras próprias, que valem para todo mundo independentemente do poder aquisitivo de quem está à mesa, e defendeu que "demitir" um paciente que busca resultado irreal ou exagerado é parte do trabalho, não uma falha dele. Segundo ele, uma promessa clara filtra sozinha quem entra na agenda, atraindo justamente quem entende o tratamento e volta para as próximas etapas.
O resultado de quem para de vender preço
No fim, o encontro voltou para onde tinha começado: o resultado de Karine Garrido. Não foi um golpe de sorte nem uma campanha isolada, foi a soma de propósito bem definido, protocolo vendido como modelo completo, preço tratado como reflexo de merecimento e uma recorrência desenhada desde a primeira consulta. É essa combinação, mais do que qualquer desconto, que separa uma clínica que só entrega procedimento de uma clínica que entrega resultado, mês após mês.
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